quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Apontamentos de recordaçao

A ALEGRIA DE VIVER
O que se passava nesta quinta, era idêntico ao que se passava nas quintas dos arredores de Lisboa, (Tintim, Cravos, Flores, João Leiteiro, Troca, Batista, Farinheira, Quinta das Rosas, Castelo Picão, Quinta da Lage, Contador-Mor, etc.), ranchos de trabalhadores na maioria do sexo feminino em trabalhos  de escravo.
Apesar de tudo, a juventude desta gente não os deixava entorpecer ou desistir de concretizar muitos dos seus sonhos . A alegria de viver era mais forte que os problemas do dia a dia. Depois de regressarem do trabalho e de tomarem a refeição improvisada da noite, era vê-las a cantar ao desfio ou a dançar as modas da sua aldeiae até o fandango. Aos sábados e domingos eram os dias permitidos pelo patrão para poderem namorar, mas só à noite até às dez ou onze horas.
As saídas da quinta limitavam-se, na maioria das vezes, a ir levantar o farnel enviado pelos pais à estação de Braço de Prata aos sábados e aos domingos à noite, o que os rapazes aproveitavam para organizar convívios no largo da estação e frente à quinta do Tim-Tim e de vez em quando aos bailes realizados no Salão do Vale Formoso Futebol Clube, uma Associação Recreativa local.
As raparigas, acompanhadas pelos namorados regressavam dessas saídas, mas os rapazes que as acompanhavam só podiam entrar até às dez horas da noite na quinta. Depois desta hora vinha o patrão ou o guarda da noite de espingarda ao ombro, convidar os rapazes a sair da quinta e fazer copm que as raparigas recolhessem ao quartel, pois no dia seguinte tinham que estar a pé pelas seis horas para pegarem ao serviço.

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