quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A MULTA E O SEU EFEITO

Ao cumprimentar um elemento do grupo e alguém se enganasse, logo lhe era passada uma senha para pagar a multa de $50. Ora esta cena passava-se muitas vezes na companhia de outras pessoas que não pertenciam ao grupo. Estas pessoas ficavam intrigadas com o que viam. Logo eram esclarecidas sobre o regulamento do grupo, dando origem a comentários engraçados mas também de desconfiança.É claro que estas normas de comportamento eram para maiores de 18 anos e embora não tivéssemos qualquer conotação política, não nos podemos esquecer que por todos os cantos haviam os tristemente celebres informadores da Pide e nós com a nossa actuação dávamos muito nas vistas para passarmos ignorados.

                                            OS PASSEIOS DO GRUPO
Muitos foram os passeios que se fizeram com o grupo dos "NOVE CANHOTOS".
Começámos por passeios de fim de semana nos arredores de Lisboa (a volta dos três castelos) com a visita aos castelos de Palmela, Sesimbra, Setúbal e com um bom banho na praia de Tróia nessa época ainda virgem; a visita aos Palácios de Sintra e toda a região saloia com visita ao Covento de Mafra; o passeio à Nazaré com a visita a Peniche, Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça e Batalha.
Mas o passeio mais importante que fez este grupo foi a deslocação ao Norte do país que durou uma semana, com visita às cidades do Litoral, passando por Aveiro, Esmoriz, Porto e percorrendo todo o Minho numa época em que todos os dias havia festas e feiras por todo o lado e com estadia na Festa da Senhora de Agonia em Viana do Castelo e visita à cidade de Braga, Bom Jesus, Guimarães,Porto, etc.




GRUPO EXCURCIONISTA

Estamos no início das guerras do Ultramar.É necessário enviar homens e material bélico para as várias frentes da guerra. È o período em que as fábricas militares começam a trabalhar para equiparem as forças armadas que partem para o Ultramar.
Muitos dos rapazes que trabalhavam nas quintas e até na construção civil ingressam nessas fábricas.Ao saírem das quintas onde pernoitavam, tiveram que se albergarem em quartos colectivos e em pátios como o Pátio Silvestre, Pátio do Borras, a antiga fábrica de curtimento de peles na Rua da Centieira, etc.Aí os rapazes vivendo em camaratas e trabalhando nos mesmos serviços, são estimulados a organizarem os seus tempos livres. Cria-se o Grupo Excurcionista "OS 9 CANHOTOS" em 1961 pelos rapazes, oriundos de Pombal, que trabalhavam em Braço de Prata, e nele se integraram  mais tarde outros elementos que não trabalhando na mesma empresa eram familiares ou amigos.Este grupo tinha regras de comportamento que era preciso respeitar. Ao cumprimentarem-se o aperto de mão tinha de ser com a mão esquerda;ao beber qualquer líquido ao balcão dum café ou bar ou até mesmo na própria habitação, na presença de outro sócio, tinha que ser com a mão esquerda. Quem se enganasse ao cumprimentar outro elemento do grupo ou fosse apanhado a beber com a mão direita, era multado em $50. Cada elemento do Grupo tinha um livro de multas e o produto das multas revertia para a caixo do grupo. O grupo não se limitava só a passar multas a quem não cumpria as regras estipuladas e aceites por todos.Organizava festas e bailes no salão do Vale Formoso Futebol Clube e o produto destas revertia também  para a caixa do grupo.Era assim que os elementos do grupo conseguiam amealhar o suficiente
para nas férias poderem organizar os seus passeios. O objectivo do grupo, como o nome indica, era fazer excursões pelo país.No entanto era limitado a nove elementos, que era o máximo que se podia transportar numa carrinha de ligeiros de passageiros incluído o condutor. O condutor também tinha mais uma regra que era ao conduzir a carrinha com o grupo, não podia beber bebidas alcoólicas, por isso se limitava a beber apenas uma cerveja às refeições. Era o Manuel João um profissional competente, por isso nos merecia a confiança no seu trabalho de nos conduzir nas nossas passeatas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O MENINO VELHO EMIGRANTE

O MENINO VELHO EMIGRANTE

NASCE um menino
Gerado na confusão da miséria
Entre trapos, barracas e fome
Neste vale de lágrimas imundas

CRESCE um menino
Num ambiente de dor e morte
Sem amor, sem carinhos
Pois é esta a sua sorte

VIVE um menino
De mão estendida a quem passa
Pedindo que lhe matem a fome
E assim vai crescendo um homem

Um homem que bem cedo já é velho
Pelas agruras da vida passada,
Vai vender a estranhos o seu trabalho
Porque cá, a vida parece parada

Em busca do que cá lhe negam
Assim parte um homem sem maldade
Com a esperança de um dia encontrar,
Solidariedade, Amor e Fraternidade!