sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

ESTA PAZ

ESTA PAZ

Haja paz,
Nesta paz,
Que nada faz,
Para que esta paz
Que só aos grandes satisfaz,
Deixe de ser aquela paz
Que há muito nos cemitérios jaz!...

Paz da morte
Daqueles que não tiveram a sorte
De nascerem em berços dourados,
Esta paz a que somos obrigados
Não é a paz das consciências,
É a paz do medo, das violências,
É a paz das baionetas!...


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

É PRECISO UM NOVO PORTUGAL

É preciso acordar toda a gente
É preciso dizer-lhes a verdade
É preciso que todos olhem em frente
É preciso não perder a Liberdade.!

É preciso criar nova mentalidade
É preciso denunciar a corrupção
É preciso não perder a dignidade
É preciso não criar a confusão!.

É preciso não perder a confiança
Na união das armas com o povo
É preciso reforçar esta aliança
Para que a liberdade não se perca de novo!.

É preciso lutar até ao fim
Pelo bem do povo, por um ideal
É preciso salvarmos este jardim
É preciso criar um NOVO PORTUGAL!.

23-09-1974

sábado, 19 de novembro de 2011

ÁGUIA FAMINTA

Tens instinto dessa ave maldita
Insaciável, voraz e faminta,
Por onde passa faz com que se sinta
O ranger das asas no infinito.

Oh pérfida, sangrenta e cruel,
Águia do deserto esfomeada
Larga a presa que tens filada,
Não lhe dês vida amarga com fel.

Pois, por tuas vítimas não contares 
Nessa tua correria louca,
Tu acabarás por ser vencida.

E quando já não tiverdes a vida
Que te obrigou a este meu olhar
Para sempre calarás a tua "boca".

Laureano da Silva - 19-11-2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lau/Silva: Apontamentos de recordaçao

Lau/Silva: Apontamentos de recordaçao: MARIA VAI PARA AS MONDAS Tarde escura, nuvens ao longe anunciam a tempestade. Jose chega da ribeira conduzindo os bois que em repousarao ...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A MULTA E O SEU EFEITO

Ao cumprimentar um elemento do grupo e alguém se enganasse, logo lhe era passada uma senha para pagar a multa de $50. Ora esta cena passava-se muitas vezes na companhia de outras pessoas que não pertenciam ao grupo. Estas pessoas ficavam intrigadas com o que viam. Logo eram esclarecidas sobre o regulamento do grupo, dando origem a comentários engraçados mas também de desconfiança.É claro que estas normas de comportamento eram para maiores de 18 anos e embora não tivéssemos qualquer conotação política, não nos podemos esquecer que por todos os cantos haviam os tristemente celebres informadores da Pide e nós com a nossa actuação dávamos muito nas vistas para passarmos ignorados.

                                            OS PASSEIOS DO GRUPO
Muitos foram os passeios que se fizeram com o grupo dos "NOVE CANHOTOS".
Começámos por passeios de fim de semana nos arredores de Lisboa (a volta dos três castelos) com a visita aos castelos de Palmela, Sesimbra, Setúbal e com um bom banho na praia de Tróia nessa época ainda virgem; a visita aos Palácios de Sintra e toda a região saloia com visita ao Covento de Mafra; o passeio à Nazaré com a visita a Peniche, Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça e Batalha.
Mas o passeio mais importante que fez este grupo foi a deslocação ao Norte do país que durou uma semana, com visita às cidades do Litoral, passando por Aveiro, Esmoriz, Porto e percorrendo todo o Minho numa época em que todos os dias havia festas e feiras por todo o lado e com estadia na Festa da Senhora de Agonia em Viana do Castelo e visita à cidade de Braga, Bom Jesus, Guimarães,Porto, etc.




GRUPO EXCURCIONISTA

Estamos no início das guerras do Ultramar.É necessário enviar homens e material bélico para as várias frentes da guerra. È o período em que as fábricas militares começam a trabalhar para equiparem as forças armadas que partem para o Ultramar.
Muitos dos rapazes que trabalhavam nas quintas e até na construção civil ingressam nessas fábricas.Ao saírem das quintas onde pernoitavam, tiveram que se albergarem em quartos colectivos e em pátios como o Pátio Silvestre, Pátio do Borras, a antiga fábrica de curtimento de peles na Rua da Centieira, etc.Aí os rapazes vivendo em camaratas e trabalhando nos mesmos serviços, são estimulados a organizarem os seus tempos livres. Cria-se o Grupo Excurcionista "OS 9 CANHOTOS" em 1961 pelos rapazes, oriundos de Pombal, que trabalhavam em Braço de Prata, e nele se integraram  mais tarde outros elementos que não trabalhando na mesma empresa eram familiares ou amigos.Este grupo tinha regras de comportamento que era preciso respeitar. Ao cumprimentarem-se o aperto de mão tinha de ser com a mão esquerda;ao beber qualquer líquido ao balcão dum café ou bar ou até mesmo na própria habitação, na presença de outro sócio, tinha que ser com a mão esquerda. Quem se enganasse ao cumprimentar outro elemento do grupo ou fosse apanhado a beber com a mão direita, era multado em $50. Cada elemento do Grupo tinha um livro de multas e o produto das multas revertia para a caixo do grupo. O grupo não se limitava só a passar multas a quem não cumpria as regras estipuladas e aceites por todos.Organizava festas e bailes no salão do Vale Formoso Futebol Clube e o produto destas revertia também  para a caixa do grupo.Era assim que os elementos do grupo conseguiam amealhar o suficiente
para nas férias poderem organizar os seus passeios. O objectivo do grupo, como o nome indica, era fazer excursões pelo país.No entanto era limitado a nove elementos, que era o máximo que se podia transportar numa carrinha de ligeiros de passageiros incluído o condutor. O condutor também tinha mais uma regra que era ao conduzir a carrinha com o grupo, não podia beber bebidas alcoólicas, por isso se limitava a beber apenas uma cerveja às refeições. Era o Manuel João um profissional competente, por isso nos merecia a confiança no seu trabalho de nos conduzir nas nossas passeatas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O MENINO VELHO EMIGRANTE

O MENINO VELHO EMIGRANTE

NASCE um menino
Gerado na confusão da miséria
Entre trapos, barracas e fome
Neste vale de lágrimas imundas

CRESCE um menino
Num ambiente de dor e morte
Sem amor, sem carinhos
Pois é esta a sua sorte

VIVE um menino
De mão estendida a quem passa
Pedindo que lhe matem a fome
E assim vai crescendo um homem

Um homem que bem cedo já é velho
Pelas agruras da vida passada,
Vai vender a estranhos o seu trabalho
Porque cá, a vida parece parada

Em busca do que cá lhe negam
Assim parte um homem sem maldade
Com a esperança de um dia encontrar,
Solidariedade, Amor e Fraternidade!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

APONTAMENTOS DE RECORDAÇÃO

Certo dia  os rapazes, apercebendo-se das injustiças que se estavam a praticar com esta gente, combinaram convidar as raparigas a acompanharem os rapazes para o portão da quinta junto do chafariz. Foi o acordar de consciências. Quando apareceu o patrão de caçadeira às costas a intimar os rapazes a sair e a avisar as raparigas que deviam regressar ao quartel, que vimos as raparigas acompanhar os namorados até ao portão, onde permaneceram até cerca da meia-noite.Mas esta acção não ficou por aqui.No dia seguinte, um domingo, foi decidido que não iriam trabalhar. Assim aconteceu não só com as que tinham namorado, mas também com todas as outras trabalhadoras.
Foi um dia que ficou na memória de todos, pois um grupo de camponesas acompanhadas pelos seus namorados e familiares foram passear até à Feira Popular que então se fazia junto a São Sebastião da Pedreira, no espaço que mais tarde viria a ser construída a sede da Fundação Calouste Gulbenkian e seus jardins. Foi neste dia que a RTP fez a primeira transmissão de televisão.
A partir deste dia não se trabalhou mais ao domingo nesta quinta.É também o início da saída de algumas trabalhadoras para outras quintas e até para fábricas. Foi o princípio do fim do trabalho escravo que se praticava nas quintas dos arredores de Lisboa. Trabalho de sol a sol e por vezes até pela noite adiante para arrumar os produtos das hortas nas galeras ou camionetas para de madrugada seguirem para a Praça da Ribeira.
Não havia horas extraordinárias e quando chovia, não havia paragem nas tarefas do campo e quando se parava, o tempo era descontado no salário da semana. Não havia direito à saúde. Se alguma trabalhadora adoecia de maneira a não poder trabalhar, ficava retida no quartel mas sem receber o salário.Não havia segurança social. Havia apenas uma caixa de primeiros socorros para qualquer pequeno acidente. Era assim o trabalho no campo das quintas dos arredores de Lisboa em meados do século XX.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Apontamentos de recordaçao

A ALEGRIA DE VIVER
O que se passava nesta quinta, era idêntico ao que se passava nas quintas dos arredores de Lisboa, (Tintim, Cravos, Flores, João Leiteiro, Troca, Batista, Farinheira, Quinta das Rosas, Castelo Picão, Quinta da Lage, Contador-Mor, etc.), ranchos de trabalhadores na maioria do sexo feminino em trabalhos  de escravo.
Apesar de tudo, a juventude desta gente não os deixava entorpecer ou desistir de concretizar muitos dos seus sonhos . A alegria de viver era mais forte que os problemas do dia a dia. Depois de regressarem do trabalho e de tomarem a refeição improvisada da noite, era vê-las a cantar ao desfio ou a dançar as modas da sua aldeiae até o fandango. Aos sábados e domingos eram os dias permitidos pelo patrão para poderem namorar, mas só à noite até às dez ou onze horas.
As saídas da quinta limitavam-se, na maioria das vezes, a ir levantar o farnel enviado pelos pais à estação de Braço de Prata aos sábados e aos domingos à noite, o que os rapazes aproveitavam para organizar convívios no largo da estação e frente à quinta do Tim-Tim e de vez em quando aos bailes realizados no Salão do Vale Formoso Futebol Clube, uma Associação Recreativa local.
As raparigas, acompanhadas pelos namorados regressavam dessas saídas, mas os rapazes que as acompanhavam só podiam entrar até às dez horas da noite na quinta. Depois desta hora vinha o patrão ou o guarda da noite de espingarda ao ombro, convidar os rapazes a sair da quinta e fazer copm que as raparigas recolhessem ao quartel, pois no dia seguinte tinham que estar a pé pelas seis horas para pegarem ao serviço.